Berlim/Berlin


O outro ponto alto da nossa viagem pela Europa era Berlim. Desejo do meu pai e que, logo, se tornou desejo de todos. Afinal, Berlim e a Alemanha de modo geral, fazem parte da nossa história. As guerras, o nazismo e a separação comunista e capitalista (esta, vívida na minha memória com as imagens da queda do muro noticiada na tv), são as correlações iniciais que fazemos com este local. E, podemos ter uma noção de toda essa história ao longo da cidade, agora reestruturada e moderna, mas que mantém inúmeros museus, memoriais e espaços reservados e preservados.

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Chegamos à Berlim, à noite. Ficamos em um hotel “super”bem localizado no centro, o Mark Hotel, a poucos passos de uma das principais avenidas comerciais da cidade, a Kurfurstendam, mais conhecida como Kudamm. Esta avenida era o centro comercial da Berlim ocidental, quando dividida, e é repleta de lojas, supermercados, farmácias, restaurantes, cafés e acesso fácil às estações de metrô.

A nossa ideia era chegar, guardar as malas e pegar um táxi para visitar o Museu Judaico (Judisches Museum Berlin), já que sexta-feira é o único dia da semana que ele fica aberto até às 22hs. Mas, estava “bemmmmm” frio e, nós, “bemmmm” cansados da viagem. Assim, essa visita ficará para uma próxima oportunidade (até porque, Berlim merece o retorno).

Mas, fica a aqui a dica. Dizem ser maravilhoso! Ele está localizado na rua Lindenstraße 9-14, 10969. Para chegar até lá, você se dirige a estação de metrô Kurfurstendamm – linha U1. Sentido Warschauer Strabe. A parada é a Hallesches tor e de lá, pegará um ônibus desses: Bus M29, M41, 248. A volta é a mesma coisa, só que no metrô o sentido é: UhlandstraBe. A entrada custa 08 euros.

Bem, a mudança de planos nos levou a um jantar com direito a cerveja alemã, gozação dos garçons (afinal, o 7×1 é histórico) e muita comida e sobremesa gostosa. Em seguida, ainda deu tempo de dar um passeio pela extensão da Kudamm para nos localizarmos (especialmente, tomando ciência do metrô), visitar algumas lojas que ficam abertas até às 22h e sentir o clima de uma cidade… limpa, segura, organizada e com pessoas educadas e atenciosas.

O blog simplesmente Berlim, dedica um post inteiro só para contar a história desta avenida. A Kudamm é imensa! Possui 3,5 km de extensão e, muito próximo ao nosso hotel (750 metros), fica a Igreja Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche ou simplesmente Gedächtniskirche. Uma das atrações mais famosas de Berlim, por ser um símbolo da destruição causada pela Guerra, e que podemos observar nas ruínas da torre que permanece extremamente danificada.

No outro dia, pela manhã, fizemos o passeio panorâmico com a excursão. Saímos cedo, demos uma volta pela cidade observando o trajeto do Muro que separava a Alemanha Ocidental e Oriental em inúmeros registros demarcados por ruas, calçadas e avenidas da cidade.

A primeira parada foi no Portão de Brandemburgo… A região do Portão é extremamente simbólica. Ele é a porta de entrada de uma das principais avenidas, a  Unter den Linden (que falaremos daqui a pouco). E, por trás dele, encontra-se a “Pariser Platz” que possui as embaixadas, prédios políticos e o famoso hotel em que Michel Jackson segurou seu filho pela Varanda.

De um dos lados do Portão está o Memorial do Holocausto e do outro lado, o Reichstag (Prédio do Parlamento Alemão e sua linda cúpula de vidro). Porém, visitamos estes no dia seguinte e contaremos mais adiante.

Em seguida, com a excursão, fizemos a 2ª parada na East Side Gallery (parte preservada do Muro de Berlim), que fica ao longo do rio Spree, com a linda ponte Oberbaumbrücke ao fundo (vale a ida por trás do muro, para tirar uma bela foto com a ponte ao fundo).

O Muro foi grafitado por 105 artistas de várias regiões do mundo logo após a queda. Possui o título de mais longa galeria de arte a céu aberto. O painel mais popular é o famoso beijo fraterno entre o líder soviético e o alemão Erich Honecker e Leonid Brezhnev. 

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Dica: Vale a pena comprar os suvenires que imitam pedaços do muro, com réplicas dos grafites. E, se quiser saber mais sobre o muro de Berlim há o Memorial do Muro de Berlim, na Bernauer Strasse (Indo de metrô, pegue a Linha U8 e desça na estação Bernauer Str).

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Da East Side Gallery seguimos para o Checkpoint Charlie, posto militar que ficava na fronteira entre a Berlim Ocidental e a Oriental e permitia a passagem de membros das forças aliadas e diplomatas estrangeiros. E, ao lado, está a Topografia do Terror, um trecho preservado do Muro que funciona como memorial, documentando momentos históricos da época nazista.

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Finalizamos a excursão em frente à Catedral de Berlim (Berliner Dom) e, como algumas pessoas queriam visitar o Campo de Concentração próximo à cidade e o guia cobrou uma taxa a cada um (10 euros), nos organizamos e fomos com ele de trem.

Saímos a pé por ali pelo centro… Utilizamos um dos muitos banheiros públicos existentes pelas ruas e extremamente limpos (aliás, parece uma máquina do tempo oval… moedinha… portas se abrem, você entra… e voilá!). Ah! Berlim!!!

Chegamos à estação de trens metropolitanos, comemos… Compramos nossos tickets nas máquinas automatizadas (neste caso, compramos tickets coletivos, pois saía mais barato) e nos dirigimos à entrada…

Detalhe!!! Sem catracas, sem mostrar ticket a ninguém… Simplesmente entramos. E, da mesma forma, saímos!!!  Êh, 1º mundo!!!

O trem que pegamos seguiu em direção a Hauptbahnhof. Mais uma vez, detalhes… Cachorros, bicicletas, crianças sozinhas… Tudo isso dentro de um trem extremamente limpo e silencioso. Descemos na estação Oranienburg. Daqui, atravessamos a rua e pegamos o ônibus 804 (em direção a “Malz”), mas também pode ser a linha de ônibus 821 (em direção a “Tiergarten”) para o memorial Sachsenhausen.

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O bilhete custa aproximadamente 1,40€. E não se preocupe em se perder… Sempre tem grupos fazendo essa visita. Estava um frio de matar e havia umas trinta pessoas, além do nosso grupo que era formado por dez.

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O ingresso ao campo é gratuito, você paga apenas pelo áudio guia. Mas, no nosso caso não foi necessário.

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Enfim… A experiência é indescritível!  

Embora este não tenha sido um campo de
extermínio, como Auschwitz, mas sim um campo que eles denominavam de “modelo”, pois era onde os oficiais estudavam e treinavam para os demais campos, 13 a 18 mil soviéticos foram presos e executados nos fornos. O filme “Os falsários” foi gravado aqui. Está muito bem preservado e revela uma época assustadora mesmo. Durante a caminhada pelos espaços, só lembrava-me dos trechos de Vitor Frankl no livro “Em busca de sentindo”.

Foi o dia mais frio que passamos em Berlim… Ventava tanto que das dez pessoas do meu grupo, apenas 04 finalizaram a caminhada pelo campo, dentre elas, eu. Mas, quase morremos de frio. Terminei com sensação de hipotermia nos dedos e é porque estava empacotada dos pés a cabeça.

Imaginava, o tempo todo, o dia a dia daquelas pessoas com fome, vivendo em espaços minúsculos, aos montes, com roupa inadequada, sem sapatos, doentes e fracos, tendo que ficar naquele espaço a céu aberto, em época de inverno gélido, sabendo que a qualquer momento podiam ser mortos… Realmente um terror!

A visita é, sim, triste, angustiante, mas importante e necessária. Por isso, tantas escolas, até hoje em Berlim,  tem como atividade obrigatória a visita de crianças a estes locais, de modo que se lembrem da capacidade da maldade humana e do que o ódio, preconceito, exclusão e diferenciação podem fazer…  E, principalmente, que, diante de tanto terror, isto nunca mais, volte a acontecer!!!

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Finalizamos a noite no campo… Tomamos um pouco de café, visitamos a lojinha que lá possui, nos aquecemos também e voltamos. Porém, a esta altura, já não havia ônibus de volta, então tivemos que andar uns 40 minutos até a estação de trem. Portanto, atenção aos horários dos ônibus e a correlação dos mesmos com os horários dos trens.

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No outro dia, acordamos cedo e tomamos um táxi até a “Alexander Platz”, famosa praça da cidade, onde está a altíssima torre de TV (que você pode subir e ter uma bela visão da cidade).

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De lá, nos dirigimos até a estátua de Marx e Engels que fica em um parque logo à frente. Não tinha como a gente não parar e fotografar estes filósofos que lemos tanto e maiores representantes do comunismo. Queria muito uma estátua de Nietzsche e Freud também e assim, teríamos uma reunião histórica de primeira linha. (risos)!

Seguimos nosso passeio a pé pela Unter den Linten, em direção ao Parlamento Reichstag, onde havíamos agendado visita para o fim do dia. A avenida tem 1,5 km de extensão.

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Iniciamos com a magnífica Catedral de Berlim (Berline Dom- aberta de 09h às 20h). Dela, temos acesso a Ilha dos Museus (Museumsinsel) que abriga cinco museus renomados mundialmente: Museu novo, que possui o busto da rainha egípcia Nefertiti; o Museu Pergamon, que abriga peças monumentais e é o museu mais visitado de Berlim; a Galeria Nacional Antiga, que exibe principalmente pinturas do Impressionismo, Romantismo, Neoclassicismo, Biedermeier e início do Modernismo; e o Museu Bode que exibe uma coleção de esculturas, Arte Bizantina, além de uma grande coleção de moedas. A praça é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1999.

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Continuando a caminhada em direção ao Parlamento, atravessamos a ponte ao lado da praça dos museus, chamada de Schlossbrücke (Ponte do Castelo) que possui várias estátuas lindas. A ponte leva esse nome porque em seu outro lado (oposto à Museuminsel) ficava o principal palácio da monarquia prussiana — mas o que você vai ver é um grande descampado, conhecido como Schlossplatz.

Andando mais a frente, encontramos alguns palácios. O primeiro que você vai ver, à direita, de cor rosa, é a Zeughaus, que hoje abriga o Museu da História Alemã.  É o prédio mais antigo da Unter den Linden, construído entre 1695 e 1706, como arsenal. Vale a pena entrar neste Museu e ao final, visitar a lojinha do mesmo que possui muitas lembrancinhas interessantes e a preços acessíveis (muitas vezes, melhor do que as lojas de suvenires). Compramos caderninhos fofos, cada um, por 1€.

Em frente a ele, mas do outro lado da avenida, está o prédio Alte Kommandantur, reconstruído em 1999. Temos ainda, o Kronprinzenpalais (Palácio do Príncipe herdeiro), O Prinzessinnenpalais (Palácio da Princesa), que hoje em dia é chamado de Opernpalais (Palácio da Ópera).

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Seguindo na Unter den Linden, à direita, há uma pequena construção em estilo clássico, chamada Neue Wache. Atualmente, abriga apenas uma escultura da artista alemã Käthe Kollwitz chamada “Mãe com seu filho morto”, mas ela é tão tocante que vale à pena entrar, não se paga nada. O lugar em si foi transformado em “memorial para as vítimas da guerra e da tirania”.

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Logo adiante fica a Humboldt Universität, a universidade mais antiga da cidade e onde estudaram personalidades famosas da história, literatura e política.

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O prédio onde funciona a universidade era originalmente o palácio do príncipe Heinrich da Prússia. Do outro lado da rua, há um grande pátio, entre a ópera e um prédio da Universidade, chamado Bebelplatz, onde os nazistas queimaram livros de autores considerados “não-alemães”, entre eles Freud, Marx e Tucholsky. No meio deste pátio, que chamam de praça, há uma instalação de vidro e através dele, se vê várias estantes vazias, em memória ao incidente. Não pudemos ver, pois estavam acontecendo várias reformas no local.

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Ao longo da avenida, há várias lojas, cafés e restaurantes. Ao nos aproximarmos do Portão de Brandenburgo, visitamos o Memorial do Holocausto que é corretamente denominado de Memorial aos Judeus Mortos na Europa. Um labirinto de pedras de granito pretas, de larguras, comprimentos e alturas distintas e que nos dão a sensação de desordem e irregularidade. E, a ideia dos arquitetos e engenheiros que o produziram foi essa mesmo, de perpassar a sensação de intranquilidade e confusão, representando a perda da razão humana. No subterrâneo, há o Ort der Information, uma exposição com informações sobre a perseguição e o extermínio dos judeus pelos nazistas. A exposição mostra detalhes biográficos de vítimas do holocausto.

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Finalizamos com o Parlamento Alemão (Reichtag) que, danificado pelo incêndio na segunda guerra, foi restaurado, mas só recebeu a cúpula de vidro, ao invés da de metal original, alguns anos depois.  A cúpula de vidro tem em sua parte interna uma plataforma espiral que leva até o topo, de onde se pode ver o Portão de Brandenburgo e uma bela vista da cidade.

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A cúpula e o terraço do Reichtag podem ser visitados gratuitamente, mas obrigatoriamente com agendamento prévio, por meio do site do Bundestag. Há opções de visitas guiadas e independente.

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Finalizamos o dia na Kudamm novamente, comendo a mais autêntica comida alemã: joelho de porco com chucrute (Eisbein mit Sauerkraut) e muita Currywust que é aquela salsicha de curry com batata fria M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!!! . O local escolhido foi um autêntico e tradicional “Salon” alemão Alt Berliner Salon.

Os pratos que pedimos foram exatamente os: Grossers Berliner  Eisbein, Ezwein berlnier boulettein e Berliner currywust (veja o menu no site).

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E, a gente comeu muito mesmo, tomou cervejas alemãs, foi muito bem atendido pelo povo alemão… que, diferente do que nos disseram, são simpáticos e querem mesmo é se afastar da história triste  a amarga ligada ao seu país.

#AmeiBerlim!

 

 

 

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